quarta-feira, 26 de maio de 2010
nota
O show do dia 30/05 "Ta no Jaçanã Ta na Picadilha", com as bandas Chico Picadinho, Lixo Atômico, Terceiro Mundo e Holocausto Sonoro foi CANCELADO por problemas técnicos dentro do museu.... peço desculpas a todos!
domingo, 23 de maio de 2010
"Ta no Jaçanã Ta na Picadilha"

Depois de pelo menos uns três anos sem organizar nenhum show, finalmente volto à ativa. Desta vez, pretendo contemplar o meu glorioso bairro com um primeiro evento musical dentro da Associação Museu Memória do Jaçanã. Com o suporte de um Coletivo intitulado “Infernal Nöise”, cujos participantes e suas funções são as seguintes: Fernando (organização), Cecília (Arte), Danilo (Aparelhagem), Apolo (Aparelhagem) e David (Transporte); + a Associação Museu Memória do Jaçanã (onde eu sou voluntário) que entra com o suporte do espaço físico, apresentamos bandas bem barulhentas.
O objetivo principal deste show e galgar para uma configuração cultural no bairro, onde praticamente não há absolutamente nada, a não ser o trabalho desenvolvido no CEU Jaçanã. Pretendemos verificar esse primeiro evento para sentirmos o público do bairro e desta forma, podermos desenvolver outros eventos....
Falta exatamente uma semana.... vamos ver o que rola...
segunda-feira, 17 de maio de 2010
História do Parque Edu Chaves
Segue abaixo a história de mais um bairro da Zona Norte da cidade de São Paulo, o “vizinho” do Jaçanã, Parque Edu Chaves. Este documento provavelmente é também da década de 70 e não tem autor declarado, as devidas referências estão no final da transcrição.Minha vivência neste bairro é até de certo modo bem expressiva, pois freqüento um Sebo por lá desde os meus 10 anos, também tenho alguns amigos por lá....Mais minha principal atividade no Parque Edu Chaves foi tocando e organizando shows, no memorável Hilário Rock Bar. A banda cujo eu era o vocalista, o Infernal Nöise, tocou pelo menos umas dez vezes por lá, além do festival que eu organizava intitulado “Noise Night Fest”, onde transcorreram três edições, mais somente duas foram no Hilário Rock Bar, a última foi no bairro do bexiga.
Neste festival passaram as seguintes bandas: Infernal Nöise, Madalena Crucified, Plague Rages, Mussum, Odio Social, Juventude Perdida, Hate Inside, Gritos do Subúrbio, Mundice, Ação Terrorista, No Up Stars, The wooden Man, Taiko, Sistema Podre, Meia Lua e Soco, Entendeu?, Atitude Anarquista e Infecto.Este documento abaixo pode ser encontrado em sua forma original na Associação Museu Memória do Jaçanã com o Sr. Silvio Bittecourt.

PARQUE EDU CHAVES, com suas ruas largas, plantas e bem traçadas, uma beleza urbanística semelhante a Praça do Arco do Triunfo de Paris. Vamos nos orgulhar destes privilégios, transformando o bairro bem original ao seu nome, acentuado pelo verde e pelas flores, pis as árvores além de purificar o ar, será atrativo natural dos pássaros e das borboletas.
Biografia
Eduardo Pacheco Chaves
Nasceu em São Paulo no dia 18 de julho 1887 e morreu no dia 21 de junho de 1975 em São Paulo. Filho de Elias Pacheco Chaves e Anésia da Silva Chaves, barões do café, pertencia a alta sociedade paulista. Casado com Jeanne Pacheco Chaves, o aviador morava em Pinheiros, Zona Oeste, nos últimos anos de sua vida. Teve somente uma filha. Faleceu aos 87 anos, vitima de uma trombose.
Amigo pessoal do inventor do avião, Santos Dumont e considerado o primeiro brasileiro a tirar, em 28 de julho de 1911 o brevê de piloto pela Escola de Aviação de Etamps, na França. De volta ao Brasil trouxe alguns aviões como o Bleriot, o Condron e Morane, chegando a possuir 21 aparelhos, confiscado pela revolução comandada pelo General Isidoro Dias Lopes em 1924, contrariado parte para o interior do Estado.
Edu Chaves, como foi conhecido durante toda sua vida, cursou Escola Politécnica de São Paulo e seguiu para Bélgica onde estudou na Universidade de Liége.
Quando voltou ao Brasil, Edu Chaves fez o primeiro vôo entre a capital e o Rio de Janeiro. O aviador decolou no prado da Mooca, Zona Leste, e pousou no Estado do Rio. Incorporado à Legião Estrangeira chegou a participar da Primeira Guerra mundial. Em 1914 partiu o primeiro vôo para a ligação Rio-Buenos Aires, um salto tecnológico para época. Em 1920 pilotando um aparelho de apenas um lugar saiu do Rio com destino a Buenos Aires, na Argentina. Nove dias depois chegou à cidade argentina com escalas em São Paulo, Porto Alegre (RS) e Montevidéu (Uruguai). Demonstrando técnica perfeita e extraordinária segurança o piloto realizou diversos vôos na Europa e fundou a Escola de Pilotagem da Força Pública de São Paulo.
Essas façanhas tiveram repercussão internacional notabilizando-o.
História
DESENVOLVIMENTO DO BAIRRO
O Parque foi fundado em 03/12/1924. Escrever sobre o Parque Edu Chaves é escrever um capitulo da História do Brasil e até mesmo da História Universal, tal é a importância de deus personagens em relação a história da humanidade. O Parque Edu Chaves foi uma fazenda agrícola de arroz, cultura mais adequada ao solo, que era um verdadeiro pântano. O proprietário desta vasta região situado entre os bairros Vila Sabrina, Jardim Brasil, Jaçanã e Rodovia Fernão Dias (Vila Galvão). Foi Eduardo Pacheco Chaves, daí no nome do bairro: Parque Edu Chaves. Em 1926 foi traçado o loteamento do Parque Edu Chaves.
Localizada mais ou menos, 13 quilômetros do centro da cidade a 1200 metros da linha de ônibus que fazia o Itinerário Estação da Luz – Vila Galvão e a quase 2,5 Km da estação jaçanã, pois dos 1535 lotes que compõem o bairro, apenas alguns eram construídos, em sua maioria com barracões de madeiras. Onde na época das águas, as enchentes atingiam até dois metros de altura, colocando em desespero os seus moradores que além de procurarem não morrer afogados, tinham que se defender das cobras que arrastadas pelas enxurradas, vinham como loucas, procurando enrolar-se em tudo que estivesse parado em sua frente.
Os serviços de drenagem e aterro para dar fim ás enchentes processavam-se lentamente, alguns moradores preferiam sujeitar-se a ficar, outros esperavam a época da seca, para pintar e vender suas casas, procurando assim fugir da calamidade das enchentes.
Uma das primeiras construções do bairro foi o Núcleo Residencial destinados aos Subtenentes e Sargentos da Força Pública. Em 1932, o Subtenente José Antunes, presidente do Centro Social dos Sargentos, entendimento com o Coronel Euryale de Jesus Zerbini, Comandante da Força Pública conseguiram na Caixa Econômica Estadual, financiamentos para a construção de 300 casas, construídas em grupo de 100 cada. O preço de cada casa foi de 100 mil, sendo que as do último grupo custaram um pouco mais de 200 mil.
Com a construção do conjunto habitacional dos Sargentos, começaram a surgir os demais moradores e os primeiros comerciantes, sendo que até 1956 o bairro não contava com mais de 300 casas, sendo 300 sargentos e 80 dos demais moradores espalhadas por todo o bairro.
Com a ligação da Via Dutra com a Fernão Dias, o desenvolvimento do bairro acelerou-se, os poucos moradores começaram a unir-se talvez devido ao sofrimento o espírito comunitário começou a desenvolver-se e unidos começaram a reivindicar para que fosse suprida todas as necessidades do bairro. As ruas eram intransitáveis com enormes poças que bem poucos se atreviam por elas passar.
A praça Santos Dumont (atual Comandante Eduardo de Oliveira) tinha em seu centro um lago cercado por um bosque de eucaliptos. Nesse lago o Sr. Tubero, Sr. Manoel Franco Filho e o Sr. Manoel Rosqueti com os demais moradores pescavam traíras e caçavam rãs.
Para irem ao trabalho os antigos moradores saiam da casa vestido com calção, levando em suas mãos sapatos e calças limpas, ao chegarem na praça, trocavam-nas e guardavam os sujos na Padaria dos Irmãos Pereira ou no Depósito Jaguar dos Irmãos Baldin, já trocados pegavam ônibus que os levariam ao trabalho. Na volta o ritual repetia-se, pisando o que eles chamavam de “barro nosso de cada dia’’.
O traçado incomum das ruas, todas arredondadas em torno da praça Comandante Eduardo de Oliveira, é a primeira coisa que chama atenção de quem visita o Parque Edu Chaves inspirado na Place D’ Etoille em Paris, França onde fica o Arco do Triunfo. Outra característica do bairro, que tem aproximadamente 60.000 moradores, é a topografia plana, em nível mais baixo que os demais.
Segundo moradores, a união da população e de suas entidades representativas é uma tradição do bairro desde que começaram as lutas para drenar e aterrar o pantanoso terreno da região. A batalha contra as enchentes, que durantes muitos anos causaram grandes problemas aos moradores, deu origem a entidade S.O.S. Enchente, a plantação de árvores e a luta pela preservação ambiental.
De 365 árvores listadas em 1994, hoje o quadrilátero central do bairro dispõe de 1.515 plantadas, sempre aos domingos, pela Brigada Ecológica Edu Chaves que se encarregou de explicar para as crianças a importância do equilíbrio ambiental.
Os antigos moradores garantem que hoje, o bairro é um excelente lugar para se viver, possui todas as benfeitorias, suas ruas totalmente asfaltadas e iluminadas. Tornou-se estritamente residencial. O comércio está bem desenvolvido e os moradores são servidos por ótima condução, verdadeiro prêmio aos que foram perseverantes.
MOVIMENTOS REIVINDICATÓRIOS
No início de 1955 foi formada a comissão Pró-melhoramentos do Parque Edu Chaves, criado pelo subtenente Idelfonso Medeiros com a finalidade de intervir junto às autoridades. Na primeira Gestão foi presidente o Primeiro Sargento Arlindo de Souza que conseguiu para o bairro melhor arruamento para as principais vias, quatro caixas de água para abastecimento aos moradores, construção do Recanto Infantil e uma linha de ônibus da CMTC ligando o parque Edu Chaves ao Tucuruvi. Na segunda gestão foi presidente o Subtenente Herotildes que restabeleceu o itinerário do ônibus com a construção de uma nova ponte por parte da prefeitura, o término da construção do grupo escolar, do Recanto Infantil, instalação de Rede elétrica e da caixa de esgoto.
OS PRIMEIROS COMERCIANTES
Os primeiros comerciantes do bairro foram: Material de Construção Pinheiro, atual Jaguar – alto na antiga Praça Santos Dumont, atual Comandante Eduardo de Oliveira. A padaria dos Irmãos pereira, na praça Santos Dumont, atualmente na Av. Roland Garros, 2013, a Sapataria do Leonel, atual Casa do Couro, na Av. Roland Garros. O Bar do Álvaro, Av. Roland Garros; o Bar do Pepe, na rua Jorge Guinio Pinholar – Materiais de Construção, na rua Rei Alberto, atualmente na Av. Edu Chaves. A Coap do Chico, na Praça Santos Dumont. O empório do Sr. Olavio. O Bar do Fausto, Casa Papa - Material para Construção niais lardo dos Irmãos Padilha e atualmente o Supermercado do Povo na Av. Edu Chaves, farmácia Ursula de Da. Ursula, situada no prédio do ar Rios. Um açougue na rua Tenente Mário Barbeiro. A escola na Av. Edu Chaves, 195, atual 1031, foi a primeira escola e aos domingos era cinema, mais tarde o salão serviu de garagem para os tratores que aterraram o bairro. A vacaria do Marcondes, na Roland Garros, cujos animais pastavam nas ruas do bairro, e quando o gado era reunido, o povo tinha que esperar quase 30 minutos até o gado passar a desimpedir a rua. A imobiliária Júlio F. Teixeira, na Av. Edu Chaves, até hoje no local. O foto Studio Paulo, Av. Roland Garros, 2033. O Sr. José Maria da Silva, que abriu a primeira Industria do bairro. Consertando móveis e brinquedos de crianças, hoje proprietário da INAP. Industrias especializada em gabinetes, situada a rua Cícero Marques, 156.
Todos verdadeiros heróis que vieram para com qual luta diária transformar aquele local num verdadeiro e progressivo bairro. Hoje em sua maioria são homens realizados, felizes, encaram a comunidade e o bairro, sem nenhum motivo para envergonhar-se, pois eles sempre tiveram presentes para o desenvolvimento da comunidade.
LUZ E ÁGUA NO PARQUE EDU CHAVES
Em 1954, o bairro não tinha luz, a não ser emprestada por alguns moradores da Avenida Edu Chaves, e da Avenida Roland Garros, o fio era esticado e suspenso por bambus, era um bambu e poste de madeira e aquela extensão, que o próprio morador levava, era dividida para mais de 40 casas. Quando chegava a noite a luz era tão fraca que era o mesmo que não a tivesse. Em 1956 foi feito um abaixo-assinado pelo Centro Social dos Sargentos, que criaram a comissão de melhoramento Pró-Parque Edu Chaves – sob a presidência do Subtenente Ildefonso Medeiros, que reivindicaram para que a luz fosse colocada. Os moradores deveriam pagar a colocação dos postes. A Light cobrou Cr$ 1.127.180.00, quantia essa correspondia a uma extensão de fios em 312 postes de rede. Em 1973 foram colocadas as luminárias de mercúrio.
A água era de poço quando chovia as enxurradas enchiam os poços tornando a água insalubre. Devido a isso a comissão de melhoramento Pró-Parque Edu Chaves na pessoa do Primeiro Sargento Arlindo de Souza Picolli, conseguiu quatro caixas de d’água abastecidas pela prefeitura. Foram colocadas nas esquinas para que o povo pudesse servir-se. A fila era enorme, e todos temerosos que a água pudesse acabar ficavam discutindo, gerando brigas e confusões.
O Sargento Mazzei, que era amigo do Prefeito Faria Lima trouxe-o um dia para que ele pudesse constatar a situação do povo em relação a água. Vendo a má qualidade da água e o sofrimento dos moradores, providenciou logo a extensão da rede. Em 1958 os moradores do Parque Edu Chaves tiveram o prazer de ver a água jorrar de suas torneiras.
MEIOS DE LOCOMOÇÃO NO PARQUE EDU CHAVES
Os primeiros moradores vinham até o Jaçanã de trenzinho da Cantareira, lá tiravam as calças, o sapato e a meia e de calção vinham pisando no barro, pela Av. Edu Chaves (atual Av. Luís Stamatis da Av. Guapira até o Cine Coliseu). O primeiro ônibus a chegar no Parque Edu Chaves foi o da força pública e eram guiado pelo Sr. João Alves De Sousa, esse ônibus só transportava os sargentos, sendo que o povão continuava indo a pé. Depois surgiu a CMTC fazendo uma linha Edu Chaves – Tucuruvi, tinha oficialmente quatro ônibus mas o povo jura que nunca viu mais do que dois. Quando chovia as enxurradas levavam a ponte, sendo que o ônibus passava as tábuas voavam, os passageiros desciam do ônibus e ajudavam a rebocá-lo para que o outro pudesse passar.
Os ônibus eram bastante pesados e o terreno por ser de pouca consistência ocasionava sempre a abertura de enormes buracos em sei itinerário. Devido aos buracos do ônibus voltava antes de seu ponto final, obrigando o povo a andar a pé. Para que isso não acontecesse, os moradores iam de pá e enxadas para tapar os buracos maiores.
Depois a CMTC estabeleceu uma linha; Anhangabaú – Edu Chaves, com seis carros, mas que também não passaram de dois. Com a saída da CMTC da linha, a mesma foi substituída pela empresa Brasil – Lusa, que tem serviu os moradores durante um bom tempo.
S.A.P.E.C.
Em 11 de agosto de 1956, os moradores do bairro, reuniram-se para fundar uma sociedade, para preencher a lacuna deixada pela Comissão de melhoramentos. Naquele dia reuniram-se os seguintes moradores: Rafael Petraciolli, Francisco Domingos Azanha, Francisco Celestino, Silvio de Almeida, José Monteiro Sobrinho, Dagmar dos Santos Vaz, Aladim Bento Lauro, Takayasi Nagano, Moacir Pereira de Barros, Cláudio Gomes, Octavio Palanch, Gorvaslo de Sousa Alves, Heitor Iglesias Cambauva, Arlindo de Sousa Picolli, José Ferreira da Silva e Manoel Rosa.
Hoje, a sociedade, situada na Av, Jorge Newbary, 9, em sede própria, reuni seus sócios, proporcionando aos mesmos, campo de bocha, jogos de dominó, ping-pong e xadrez. A sociedade possui convênio com mais de 20 estabelecimentos comerciais e profissionais liberais, com desconto de 50% para os sócios, entre os convênios podemos destacar: Laboratório de Análise, Advogados, médicos ortopédicos, oculista, especialista em ouvidos e garganta, dentes, etc.
A Sociedade Amigos do Parque Edu Chaves, esta presente procurando solucionar os problemas do bairro. Com sua atuação conseguiram transformar o bairro, num lugar privilegiado e estritamente residencial.
IGREJA NOSSA SENHORA DE APARECIDA
A paróquia foi fundada em 1967, quando da demolição da Igreja Santo Genaro localizada na Av. 23 de Maio. Houve permuta de quatro áreas da periferia sendo uma delas parte da praça Comandante Eduardo de Oliveira, num total de 1600 metros quadrados em forma de meia lua. Ali foi erguida uma capela, sendo a intenção do pároco Padre Nicolai Martinowsky, torná-la igreja, a fim de poder melhor acomodar os fiéis, que compareciam em grande número as missas, as quais eram celebradas quatro vezes por semana. Contudo a Sociedade Amigos do Parque Edu Chaves (SAPEC) se opôs a construção no local, alegando que era a única área verde existente no bairro e que pretendia arborizar e jardinar, ressaltando que sob o terreno existiam galerias fluviais e que podiam danificar em função da construção. Coube a população lutar pelo local, em vista de vários abaixo-assinados foram feitos e levados ás autoridades municipais, que acabou sendo construída na praça.
•Material identificado como pertencente á Biblioteca Infanto Juvenil Jose Mauro Vasconcelos – Pça. Cte. Eduardo de Oliveira, 100 – CEP: 02233-060 – São Paulo/SP / Telefone: (011) 2242-8196.
•Arquivo Associação Museu Memória do Jaçanã
•Presidente: Senhor Silvio Bittencourt
•Transcrito por: Fernando Araújo Konesuk
domingo, 16 de maio de 2010
Jaçanã por Zinzani

Segue abaixo a transcrição de um documento pertencente à Associação Museu Memória do Jaçanã, onde a história do bairro é retratada pelo comerciante Luciano Zinzani, provavelmente do final da década de 70 ou começo da de 80.
Mais histórias e estórias no: www.museujacana.com.br
HISTÓRIA DO BAIRRO DE JAÇANÃ
LUCIANO ZINZANI
O desenvolvimento da periferia da cidade de São Paulo foi muito lento, principalmente na Zona Norte. Fatores negativos impediram, de certa forma, a integração do bairro do Jaçanã nas transformações ocorridas em São Paulo. A transposição da várzea do Tietê, facilmente inundável; problemas de transporte e comunicação; a construção do Lázaros no Guapira, constituíram, conjugados, no isolamento do bairro.
Todavia, com a construção do Tramway da Cantareira, o melhoramento da várzea do Tietê, ficou evidenciado a sua integração na vida urbana da cidade. A própria industria só chegou ao Guapira, em 1918, iniciando um novo período de crescimento. No entanto, ainda em 1940, o bairro do Jaçanã (antigo Guapira) permanecia em seu estado primitivo, por falta de melhoramentos imprescindíveis ao se desenvolvimentos.
Jaçanã foi sofrendo mudanças gradativas até a década de 30, rápidas após 1960, completando com a extinção do Tramway da Cantareira, o trenzinho como era conhecido, o Asilo de Inválidos D. Pedro II, o Hospital São Luiz Gonzaga, pois foi em sua função que nasceu o bairro de Jaçanã.
A conquista da várzea do Tietê foi lenta. A planície inundável do Tietê que, em alguns trechos chega a 2 Km de largura, forma verdadeira faixa de separação entre os bairros e as áreas urbanizadas, como aconteceu com a Casa Verde e Freguesia do Ó na parte norte-oriental, Santana no Norte, a Vila Maria na direção norte-ocidental. No lado norte, da capital paulista, seguindo o caminho natural do rio Tietê, dois grupos irão se formar; um na vertente esquerda do rio, desde a periferia da parte central da cidade, até a várzea, formado pelos bairros Santa Efigênia, Campos Elísios, Bom Retiro e Luz, outro, na vertente além – Tietê, na colina direita, prolongando-se até a Serra da Cantareira. A este grupo pertence, antigos e tradicionais subúrbios da capital, como Santana, Freguesia do Ó, Casa Verde e Tucuruvi.
Santana é o mais antigo núcleo de povoamento situado na periferia da Zona Norte da Capital. Sua origem remonta a Fazenda do Tietê, que mais conhecida se tornou sob o nome de Fazenda de Santana. O distrito de paz de Santana, criado a 4 de abril de 1889, pela Lei número 99, principiam na Ponte Grande, acompanham o Tietê a divisa de Conceição de Guarulhos. Segundo Nuto Sant’Anna, o antigo bairro de Santana desdobrou-se em: Tucuruvi, Tremembé, Cantareira, Guapira, Areal, Vila Guilherme, Vila Maria, Parada Inglesa, Vila Mazzei, Imirim, Chora Menino, Santa Terezinha, além de vários outros de menor importância. Durante muitos anos, o bairro de Guapira permaneceu durante muitos anos parada no tempo, mesmo com a inauguração do “Tramway da Cantareira”, que foi ao longo dos anos o fator de ocupação e colonização dessa área.
Em 1908, pela Lei orçamentária número 1.160 de 20 de dezembro o governo autorizou a construção de um ramal que atingisse o bairro Guapira. O ramal de Guapira foi concluído em fins de Outubro e a primeira inauguração foi efetuada no dia 15 de novembro de 1910. No mesmo ano, o então Governador Albuquerque Lins, autorizou o prolongamento do ramal de Guapira até o Município de Santa Izabel, passando por Conceição dos Guarulhos. A estrada atacou os serviços, mas parou em Guarulhos, tendo sido inaugurado esse novo trecho a 4 de fevereiro de 1915. Durante anos, o antigo “Tramway da Cantareira” constituiu um elemento singular e algo excêntrico da vida paulistana. Com sua bitola de 60 cm e correspondente material rodante de proporções quase liliputianas, serviu uma extensa área, através de seus ramos bifurcados um no ramo do Tremembé e da represa da Cantareira, outro na direção de Guarulhos. A estação foi construída nas imediações do Mercado Municipal, no Parque D. Pedro II. Suas minúsculas locomotivas, fumegando e expelindo fagulhas por todos os lados, alcançavam a serra, a 816 metros de altitude e rebocando carros abertos, semelhantes aos antigos bondes puxados a burros.
O ramal de Guapira seguia pela Ataliba Leonel até o Carandiru, e dali contornando os morros, subindo e descendo, Vila Paulicéia, Parada Inglesa, Tucuruvi, Vila Mazzei, Jaçanã, Vila Galvão e outros bairros até atingir Cumbica, sete quilômetros do centro ao Município de Guarulhos. Com a inauguração do trem, formou-se ao redor da estação do Guapira, o primeiro núcleo de moradores.
O Tramway da Cantareira foi incorporado à Sorocabana por força do Decreto número 12.617 de 31 de março de 1942. Dia 22 de abril de 1947 é inaugurado a nova bitola de 100 metros com o aproveitamento de material rodante enviado pela Sorocabana. Em 19 de maio de 1965 foi suspenso o tráfego de Areal á Guarulhos, sendo que em 31 de maio de 1965 foi considerado extinto e fechado definitivamente ao tráfego o ramal de Guarulhos. Sua extinção deveu-se ao inúmero déficit verificado durante muitos anos. O trenzinho foi cantado em prosa e verso e o mais famoso foi escrito por Adoniran Barbosa e cantado pelos “Demônios da Garoa” com o nome de “Trem das Onze”. O ramal de Guarulhos facilitou inclusive aos transportes de materiais para as obras do Asilo de Inválidos.
O Asilo de Inválidos, no bairro de Guapira foi inaugurado solenemente no dia dois de julho de 1911, que até então ocupava uma casa na rua da Glória, junto ao Externato “São José”. A criação do Asilo de Inválidos D. Pedro II, remonta de 1974, quando autoridades preocupadas com a mendicância em nossa cidade, procuravam um lugar para alojá-los. No entanto, somente em Março de 1883 foi iniciada a construção de um asilo em São Paulo, quando o Dr. Hipólito de Camargo, então exercendo a função de chefe da polícia percebeu a ocorrência de um grande número de mendigos esmolando nos pontos centrais da cidade. Dessa forma, nesse mesmo mês, um cidadão anônimo esteve na residência do Dr. Hipólito de Camargo, não o encontrando, deixou a quantia de um conto de réis, acompanhada de uma carta onde registrou a finalidade da doação: - construção de um asilo de mendicidade. Outros donativos surgiram, inclusive do Imperador D. Pedro II, que colaborou com a quantia de quinhentos mil réis. A idéia da construção de um Asilo de Inválidos no bairro de Guapira, surgiu quando a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo adquiriu uma enorme área de terreno nesse local, já ocupada parcialmente pela Colônia de Lázaros. O projeto de edifício foi apresentado na sessão de 23 de novembro de 1906, e em dezembro de 1907, foi lançada a pedra fundamental. Hoje, conhecido com o nome de Departamento de Geriatria D. Pedro II, vem montando sua tradição, oferecendo carinho e cuidados especiais aos velhos internados.
Em 1901 tendo o governo do Estado necessidade do terreno em que estava edificado o velho Hospital de Lázaros, á Rua João Teodoro, efetuou-se sua desapropriação, que produziu para o cofres da Irmandade a quantia de R$ 72:740$215. Com o produto dessa desapropriação a Irmandade comprou um sítio no bairro de Guapira, distrito de Santana, nessa Capital despendendo com sua aquisição, escrito e etc, 30:208$200 réis ficando o restante para ser empregado na construção do edifício apropriado dos doentes. De acordo com o plano organizado pelo arquiteto Dr. Victor Andrigo deu-se o começo de sua edificação. Sendo insuficiente para levá-la a efeito o saldo de R$ 42:262$015 da venda do velho hospital foi lançado mão de uma subscrição popular, que resultou na quantia de R$ 24:390$000.No dia 4 de setembro de 1904 realizou-se a inauguração do novo hospital de Guapira, com a presença das mais altas autoridades do Estado. Em 19 de janeiro de 1916, o Dr. Emilio Ribas, médico do Hospital de Lázaros, em carta a Mesa da Irmandade solicitou a transferência dos doentes para lugar mais seco, devido a sensibilidade da doença, por se tratar, o bairro de Guapira úmido e batido todo ano por ventos constantes. Assim, em 1930, os doentes foram transferidos para a coloria de Santo Ângelo. O Hospital “São Luiz Gonzaga” foi inaugurado em 5 de julho de 1932, dedicado exclusivamente aos tuberculosos, praticamente radicado em nosso Estado, graças ao trabalho brilhante de seus médicos.
Desde a construção da primeira capela de Guapira, em louvor a Nossa Senhora da Piedade, seus moradores dependiam da Igreja Matriz de Santana e do Menino Jesus do Tucuruvi, para os casamentos e batizados. A inauguração da Matriz do Jaçanã em louvor de Santa Terezinha, realizou-se em 2 de setembro de 1951, graças ao trabalho incansável do padre Ludovico Zanol, chamado de o “construtor da matriz”, que com o apoio das industrias e comerciantes foi possível realizar esse sonho.
Até o século XIX, o bairro de Guapira era citado como pertencente à Companhia de Jesus, outras, fazendo parte do distrito de Santana. O distrito de Tucuruvi foi criado pela Lei Estadual número 2104 de 29 de dezembro de 1925, tendo sido desmembrado de Santana. Atualmente o bairro de Jaçanã faz parte da administração Regional Santana - Tucuruvi e parte a AR Vila Maria – Vila Guilherme. Os atuais locais representados por Jaçanã. Vila Gustavo, Vila Nivi, Vila Medeiros, Jardim Brasil, Parque Edu Chaves, Vila Constança e Vila Nelson constituíam a área que abrangia o que então denominava-se Guapira.
. O primeiro telefone no Guapira data de 4 de setembro de 1904, com a inauguração do Hospital de Lázaros. A primeira indústria foi inaugurada em 1918 com o nome de “Vidraria Edmundo Lupatelli”, seguindo-se a Companhia Argilas Industriais Ltda e o Cortume Santa Antonio. A primeira escola de Guapira funcionou no Hospital de Lázaros, no entanto a primeira escola pública, foi instalada pela Secretária do Estado dos Negócios do Interior de São Paulo, em 1 de junho de 1922, com o nome de “Escolas Reunidas de Guapira”. O correio tem inicio em 1925. A primeira linha de ônibus (jardineiras) começou a correr entre Santana – Jaçanã – Vila Galvão em 1927 de Antonio Custódio de Castro. A luz elétrica, chegou em Jaçanã, no ano de 1931 substituindo os lampiões de querosene. Em 1949, a Companhia Cinematográfica Maristela inaugura o primeiro estúdio de cinema em São Paulo, sendo filmado nessa ocasião, “Presença de Anita”, “A Pensão de Dona Laura” e o “Comprador de Fazenda” com Procópio Ferreira.
Em 1917, Eu Chaves adquiriu o campo do Guapira, um milhão e duzentos mil metros quadrados pela importância de 55 contos de réis, chegando a possuir vinte e um aviões que trouxe da Europa. Atualmente o local é conhecido por Parque Edu Chaves
Assinar:
Comentários (Atom)